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 Concurso 1 - Reborn

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Urinapákova
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MensagemAssunto: Concurso 1 - Reborn   Qua 24 Mar 2010, 16:03

Título: Reborn
Género: Drama
Avisos: Violência, Morte de personagem
Beta-reader: Cats


Reborn



Caminhava sem rumo sobre o alcatrão daquela estrada deserta de onde a escuridão expulsara todos os transeuntes e a luz tosca da lua mal se fazia notar. O doce calor que envolvia a sua mão fazia-o procurar por alguém próximo que a segurasse, mas rapidamente constatava que era apenas uma ilusão, pois a sua pele encontrava-se tão gélida como sempre. Olhava para trás na esperança de ver as suas pegadas marcadas na areia, mas o alcatrão encontrava-se sólido e rude. O silencioso murmurar das folhas embaladas pela brisa fazia-o recordar o rebentar das ondas na areia, não por qualquer semelhança entre os sons, mas sim porque ambos transmitiam a mesma sensação de quietude e paz.

De um momento para o outro sentiu-se quebrar e o seu corpo passou a ser duas partes distintas, espacial e temporalmente distantes. A sua alma perdia-se no profundo azul do quarto elemento e o seu corpo vagueava nas brumas da floresta.

Tom, pegou-lhe na mão e, num jeito atrapalhado, rodou o chapéu para trás com a outra mão, de modo a que a pala não lhe obstruísse a visão. Passeavam descalços sobre a areia, o que lhes conferia a sensação exactamente oposta à de estar num concerto. Era como se pertencessem à terra; da terra nasciam, para a terra iriam quando morressem, e o sentimento de serem deuses desvanecia-se.

“Isto faz-me lembrar de quando éramos pequenos e fazíamos aquelas viagens até ao sul de França. Escapulíamo-nos sempre de casa para virmos até à praia, onde éramos capazes de passar horas a observar o mar.” Disse Tom, olhando para Bill e sorrindo-lhe.

“Oh, o Tom tão sentimental, que bonito! E já me largavas a mão! É que depois é a mim que me vêm chamar gay, não a ti.” Tom riu-se e largou a mão de Bill, para de seguida pegar numa mão cheia de areia e atirá-la à cabeça do irnão. Bill lançou-lhe um olhar ameaçador, mas ficou-se pela intenção.

“Se é a ti que chamam gay, por algum motivo é.” Tom passou a mão pelos seus abdominais e começou a fazer gestos que, a seu ver, eram tipicamente másculos, mas que ao olhar de Bill assemelhavam-no a um chimpanzé num ritual de acasalamento.


Como sentia saudades daquelas zaragatas infantis! Sentia saudades de quando ele lhe tomava a mão, um gesto tão inócuo que antes Bill repudiara. Agora sentia-se de volta à terra, como se sentira antes na presença do seu semelhante. Como se o céu se tivesse elevado quilómetros de distância e parecesse mais inalcançável do que nunca.

Esforçava-se por não chorar, mas quanto mais o tempo avançava, mais lhe parecia impossível evitá-lo. Fazia exactamente um ano desde que o seu sonho acabara juntamente com o do seu irmão.

O amanhecer aproximava-se no horizonte e os raios de sol avermelhados, típicos do nascer de um novo dia, anunciavam uma batalha contra o negrume da noite, empurrando-o, reclamando pela sua vez de dominar o firmamento e deliciar o olhar do Mundo.

Conforme mirava tudo o que o rodeava, ia apreendendo na memória cada detalhe e pormenor. Cores, sons, essências, imagens… Vagarosamente, preenchia o vazio que era a sua mente, as imagens e cores substituíam o que antes vivera. Se tentasse ver para além do dia em que se perdera no limite do mar e no começo continente, nada mais encontraria que escuridão. No preciso momento em que defronte de si se havia afigurado um caminho solitário, fora o dia em que ele mergulhara nas trevas, enterrando todas as outras memórias nas entranhas da terra, a metros de profundidade do solo, onde nunca ninguém as pudesse encontrar. Toda a sua vida anterior àquele ano ficara esquecida.

“Ouviste isto?” perguntou Bill ,com um ar assustado. Parecera-lhe ouvir vozes ao longe, facto que estranhou, devido às horas que já eram.

“Espera, acho que estou a ouvir!” Olhou para ambos os lados com ar de gozo, enquanto comprimia um dos dedos contra os lábios. Enfrentou o irmão: “Acho que são os sons da tua paranóia!” E desatou a rir-se, ouvindo Bill barafustar baixinho.

“Eu estou a falar a sério, parvo. Pareceu-me ter ouvido voz…” Não acabou o que ia a dizer porque Tom gritou: “São as vozes da tua loucura! Uhuh!”

“Ah, está bem! Tu lá sabes! Se aparecerem aí umas quantas fãs a quererem violar-te, juro que não vou mexer um dedo para de proteger.” Agora era Bill quem se ria e, quando olhou para Tom, reparou na expressão sonhadora que inundava a face do irmão, como se ser violado por fãs fosse algo óptimo.

Enquanto observava Tom, mais uma vez nos seus estranhos rituais de acasalamento, sentiu algo passar por si a uma velocidade tremenda, seguida de um estrépito. Tom olhou para Bill, desta vez com um ar apavorado, e ordenou-lhe que corresse. Desataram a correr na direcção oposta à do barulho.

“Dispararam uma arma!” gritou Bill, tentando respirar à medida que corria o mais rápido que as suas pernas lhe permitiam. Nenhum deles se atrevia a olhar para trás com receio do que poderiam avistar. Ambos corriam lado a lado e se um se atrasasse o outro abrandava, incentivando-o a continuar. Teriam de correr até à outra ponta da praia, pois toda ela era rodeada por rochas escuras, e a única saída daquele local era pelas escadas junto ao pontão.

Quando chegaram ao destino desejado, percorridos por um sopro de alívio, ouviram mais vozes ferozes vindas do único local de saída. Ambos se sentiram paralisados quando um grupo de jovens adultos os cercou. O que tinha disparado a arma seguira-os naquela corrida desenfreada, empurrando os gémeos para um beco sem saída.

Os rapazes gritavam alterados, atirando insultos aos gémeos. Bill olhou para Tom na esperança de encontrar alguma segurança, o conforto habitual do irmão que se intitulava de “mais velho”. No entanto, rapidamente constatou que essa era uma demanda fracassada; o irmão encontrava-se tão aterrorizado quanto ele.

“Olhem, olhem, se não são as meninas dos Tokio Hotel!” Todo o grupo de riu. Os rostos disformes pareciam divertidos e simultaneamente raivosos.

“Vamos dar-lhes uma sova! Ensinar-lhes como é a vida real fora do mundo cor-de-rosa!” Gritou outra voz. Nem Tom, nem Bill, se atreviam a pronunciarem-se. Todos pareciam estar embriagados e com dois deles albergando armas de fogo, um comentário errado poderia fazer com que as coisas acabassem verdadeiramente mal.

Um dos rapazes chegou perto de Bill e deu uma pancada com o braço da arma na sua cabeça, fazendo-o cair no chão. A partir desse momento, para Bill, tudo o que se sucedera era difuso, os sons distantes e as imagens desfocadas; de tal modo, que mais parecia uma espécie de sonho.

Tom avançou na direcção do outro, mas rapidamente foi agarrado pelos restantes que, por entre risos, gritavam: “Vais chorar pela tua irmã?!”

O rapaz que primeiramente havia disparado a arma, elevou-a e encostou-a à sua testa pálida, fazendo-a deslizar pelo seu rosto de uma maneira algo perversa. Esboçou um sorriso ao sentir o corpo do outro enrijecer; aquilo divertia-o imenso e incitava-o a continuar. Gotas de suor começavam a escorrer pela tez de Tom, à medida que o cano da arma percorria o seu rosto, parecendo procurar o melhor local para pôr fim à sua vida. Tom não tentou fugir ou defender-se, pois o medo revelava-se o anestesiante mais incapacitante de todos.

“Então Jeff, não vais querer matar a super estrela! Pensava que íamos apenas brincar um pouco com eles.” Disse um rapaz de cabelos ruivos, cujo comprimento destacava o seu rosto alongado e angular.

“E é o que vamos fazer!” Sem aviso, espetou uma joelhada no ventre de Tom.

Um grito de dor atravessou todo o areal daquela praia. Tom inclinou-se para a frente, abraçando o seu próprio corpo com os braços, pelo que o rapaz aproveitou aquela posição indefesa e dirigiu o punho contra o seu rosto, usando toda a força que tinha, e que na verdade não era pouca. Desta vez Tom caiu desamparado no chão, gemendo baixinho. Outro sorriso sádico apoderava-se do rosto do agressor.

Ao observar a sua presa incapacitada estendida no chão, sem se poder defender, não resistiu a provocar-lhe um pouco mais de dor. Pontapeou o corpo que se contorcia no chão, vezes e vezes seguidas.

Ao sentir os pés de Jeff a serem projectados contra si com uma força dilacerante, Tom percebeu que o seu fim tinha chegado.

“Jeff, Jeff, já chega, agora é a nossa vez!” E outra ronda de agressões seguiu-se. Tom já não respondia aos golpes desferidos por todo o seu corpo; ao invés, mergulhou num profundo silêncio do qual nunca mais acordaria.


Bill não fez qualquer esforço para não chorar, até porque, ao reproduzir mentalmente estas imagens, rapidamente descobrira que tal seria impossível. Então deixou-se apenas caminhar sem destino, até que um novo dia finalmente chegasse e trouxesse consigo as cores alegres do Sol, fazendo-o emergir daquela neblina de nostalgia, e ele pudesse finalmente voltar para casa, para perto da sua família.

Naquele dia, há exactamente um ano atrás, Bill Kaulitz, o vocalista dos Tokio Hotel, havia morrido para dar lugar a um Bill que dedicava todo o seu tempo à sua família e amigos. Há exactamente um ano atrás, um homem havia renascido. Renascido apenas com metade de si, pois a outra metade perdera-se por entre o grande oceano.



Fim
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MensagemAssunto: Re: Concurso 1 - Reborn   Qui 25 Mar 2010, 14:24

Olá : )
Ora, tenho que te dizer que o facto de a shot ser com os gémeos me surpreendeu, visto que a maioria das shots era sobre um dos Tokio Hotel e uma personagem feminina inventada pela autora.
Escreves bem, e é fácil de ler o que escreves, mas acho que a maneira como encadeaste a historia estava um pouquinho confusa, eu pelo menos perdi-me um bocadinho.
E depois, não senti tanto a imagem, embora imaginasse a praia.
Já agora, o título, muito bem conseguido.
Achei mesmo que estava muito bem conseguido.
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Urinapákova
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MensagemAssunto: Re: Concurso 1 - Reborn   Sex 26 Mar 2010, 08:11

alright Wink
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nans.
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MensagemAssunto: Re: Concurso 1 - Reborn   Sab 27 Mar 2010, 15:56

Ora bem ...
Antes de mais, parabéns, está excelente e conseguiste prender a minha atenção do inicio ao fim (o que é um feito numa one-shot/fanfic com os Kaulitz).
Mas como a Mariana já referiu, a interpretação da imagem está em falta. Fazes referência ao local, mas achei que não foste capaz de o fazer sobressair na acção que decorria.
O meu conselho é, na próxima, tentares envolver mais o cenário com as personagens e não dar apenas pequenas referências.
Quanto á linguagem ... muito, mas mesmo muito boa. Senti que estava a ler um livro de qualidade.
Mais uma vez ... parabéns.
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Devilish
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MensagemAssunto: Re: Concurso 1 - Reborn   Dom 28 Mar 2010, 09:07

Bem eu acho que o que a marianinha e a nans dizem é com razão deverias ter prestado mais atençao a esse promenor mas cativaste-me do inicio ao fim
Parabéns Smile
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Urinapákova
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MensagemAssunto: Re: Concurso 1 - Reborn   Dom 28 Mar 2010, 13:20

thanks people xD
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