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 Concurso 2 - Let The Pain Go Away

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Lóide
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Localização : Lisboa

MensagemAssunto: Concurso 2 - Let The Pain Go Away   Sab 08 Maio 2010, 15:08

Título: Let The Pain Go Away
Pairing: Bill/OC
Rating: PG
Warnings: Blood; Hurt/comfort ; Character Death
Beta-Reader: Ariana A.




«É engraçado como não nos apercebemos do quanto amamos uma pessoa, e do quanto dependemos dela, até que a tenhamos perdido para sempre. Nesse momento, já nada pode ser feito e estamos condenados a viver o resto da nossa vida sob o peso de um sentimento que nos destrói por dentro e nos faz perceber que só seríamos felizes com essa pessoa ao nosso lado.
Tudo o que queria poder fazer neste momento era voltar atrás no tempo. Não precisava ser muito, apenas um mês. Bastava recuar uns meros 30 dias para consertar o pior erro que cometi em toda a minha vida. Apenas para lhe dizer o quanto o amava…antes que ele partisse; apenas para lhe pedir perdão por tudo o que lhe disse naquela noite…antes dele ter pago o preço de uma dívida que era minha. Uma dívida que foi minha desde o singelo momento em que os nossos lábios se tocaram pela primeira vez; uma dívida que, agora, permanecerá para sempre em mim.»

XXXXXXXXXXXXXXXXXX

- Carol, não posso deixar-te ir connosco! E se elas cumprem mesmo as ameaças que fizeram? Tu viste o que foi escrito nas cartas. Pode acontecer-te alguma coisa! Como achas que eu me sentiria? Não posso ficar sem ti…não realmente.

Bill tentava, em vão, dissuadir-me da ideia de os acompanhar na nova tour. Vezes sem conta tentara fazer-me entender que Dunja conseguiria passar sem o seu braço direito em relações-públicas durante o tempo em que toda aquela horrorosa situação se mantivesse por resolver.
Mas há muito tempo que eu havia decidido que iria. Estava farta de ficar escondida, de precisar de ser protegida com se ainda fosse uma criança apenas porque umas lunáticas me ameaçavam por algo que não existia mais sequer. Além disso, queria poder estar com ele naquele momento, queria poder certificar-me de que o tempo passado longe de casa seria o melhor possível.

- Eu vou, Bill. Nada do que me disseres vai impedir-me de vos acompanhar. Há anos que tomo as minhas próprias decisões, não será agora que tal mudará. Além do mais, não tens nenhuma autoridade sobre mim.

- Carol, por favor, reconsidera…

- Bill, ‘por favor’ digo eu! Não és mais meu namorado; tu próprio assim o preferiste por medo de algo que não sabes tão pouco se algum dia me acontecerá. Não és meu irmão, nem sequer és da minha família. Não és nada meu! Não quero saber se dás ou não permissão para que eu vá. Na verdade, que se dane a tua opinião! Afinal, perdeste o direito de a dares no exacto momento em que puseste um ponto final na nossa relação…

Aquelas palavras foram proferidas sem que pudesse controlar-me. Aquilo doeu em Bill, pude vê-lo nos seus olhos. Mas a minha fúria foi superior ao meu lado racional. Eu sabia que tal não era verdade. Bill era o homem que eu amava e, apesar de já não namorarmos mais, ele foi e sempre será uma parte de mim.
Pude ver uma lágrima formar-se nos seus doces olhos castanhos, antes que me virasse as costas para que não o visse chorar. No fundo, eu compreendia os motivos de Bill para fazer tudo o que fez e nada no mundo poderia ser uma prova de amor maior do que aquela. Mas, naquele momento, só consegui ter ainda mais raiva pela fraqueza dele.

- Carol, por favor…Eu fiz o que fiz apenas para o teu bem. Não quero que te aconteça nada de mal.

- Eu não preciso de ser protegida como um bébézinho, Bill Kaulitz! Não preciso da tua protecção. As ameaças já pararam há algum tempo. E, para além disso, sei muito bem defender-me sozinha!

Ele voltou-se de novo para mim. Os seus olhos doces, que eu tanto amava, brilhavam mais do que nunca. Não só pelas lágrimas que agora corriam pela sua face mas pela espiral de sentimentos que o invadia e pelo medo que tinha de me perder.

- Carol, eu amo-te mais do que qualquer outra coisa na minha vida. Não me importaria com o que me pudesse acontecer, sabes disso. Mas foi a ti que ameaçaram inúmeras vezes. Foi a ti que afirmaram fazer coisas terríveis caso continuássemos juntos. A ti! Elas não são meras fãs. São loucas, psicopatas. Apenas quero que nada te aconteça!

Aproximou-se de mim e colocou a sua mão na minha face. Eu estremeci com o calor daquele toque. No fundo, o que queria fazer era puxá-lo para mim, beijá-lo naquele instante e dizer-lhe que o amava, que assim que fosse posto um ponto final naquela situação poderíamos finalmente ser felizes juntos. Mas o meu orgulho ferido falou mais alto. Queria magoá-lo, tal como ele me havia magoado a mim.
Num gesto rápido, afastei-me dele e tentei conter as lágrimas, enquanto respirava fundo. Eu sabia o que estava prestes a acontecer mas, nem assim, me dei ao trabalho de travar a explosão que se iria dar em breve.

- Tu não me amas, Bill, ou não terias acabado tudo comigo! Só demonstraste a tua cobardia. Sim, é isso que és, um cobarde! Para ti sou apenas uma pequena criança indefesa que tu tens tanto medo de magoar. Pois fica sabendo, magoaste e magoaste muito! – quase gritei, a minha voz precipitando-se para um volume cada vez mais alto – Magoaste-me no ainda no dia em que as ameaças chegaram pela primeira vez, no dia em que senti verdadeiramente medo, e a tua inteligente solução foi que cada um seguisse o seu caminho por ser o mais sensato a fazer. Hoje, Bill, a mágoa continua comigo. O medo, esse, abandonei-o naquele mesmo dia.

- Caroline…

- Eu odeio-te, Bill! Odeio-te com todas as minhas forças! – disse-lhe friamente.

Antes que ele pudesse dizer alguma coisa, eu saí, batendo a porta com severidade. Sentei-me no corredor, encostada a ela, esperando o momento em que ele viria a correr atrás de mim, como sempre fazia quando discutíamos. Porém, isso nunca aconteceu naquela noite. Do interior do quarto vinha apenas o som do seu soluçar, fazendo-me sentir a pior pessoa do mundo. Mais uma vez o meu orgulho vencera e nada fizera para diminuir a dor que ele sentia.

************************

Na manhã seguinte, toda a equipa partiu rumo ao aeroporto e a uma nova tour. E, tal como havia dito, ninguém me impediu de ir.
O ambiente à entrada do aeroporto era caótico. Fotógrafos circundavam-nos por todos os lados, tentando encontrar o melhor ângulo e perspectiva para mais uma foto que faria capa de revista. Fãs, com imensos cartazes coloridos, haviam aproveitado esta oportunidade para uma pequena e breve despedida aos seus ídolos. A equipa de segurança batalhava, em vão, por uma maior proximidade do nosso considerável grupo. Toda e qualquer acção a desenrolar-se naquele aeroporto parecia ter lugar em nosso redor.
Só depois me apercebi. Um vulto isolado permanecia estático junto a um dos muitos pilares do edifício. Num minuto estava lá, completamente imóvel. No seguinte, o brilho metálico de um objecto em movimento na sua mão, a pressão quente de um corpo contra o meu e um estrondo ensurdecedor.
E foi então que os gritos de horror começaram. Foi então que a pressão sobre mim desapareceu. Foi então que o seu olhar se cruzou com o meu, enquanto o seu corpo se rendia em direcção ao chão, e pude ver um sorriso formar-se nos seus lábios…cheio de carinho, cheio de sinceridade, como se nada de mal fosse acontecer.
O momento mais longo e mais horrível que alguma vez vivi. Senti-me perder forças, senti-me perder controlo sobre os meus movimentos, senti tudo o que segurava nas mãos cair por terra com um baque surdo, espalhando folhas e documentos à minha volta. Os joelhos fraquejaram-me e caí ao lado dele, enquanto o brilho ia desaparecendo do seu olhar, as suas pálpebras se fechavam e o seu sorriso esmorecia.
Chamei o seu nome, gritei por ele, abanei o seu corpo; nada o acordava, nada o fazia abrir os olhos. Nada fazia o sangue parar de correr…

XXXXXXXXXXXXXXXXXX

«Foi naquele dia que me apercebi de que não estava preparada para o perder. Não daquela forma, não depois de tudo o que lhe tinha dito, sem antes pedir perdão. O remorso começou a corroer-me desde então. Quem sabe, se eu não tivesse dito tudo aquilo, se não tivesse ido com ele… quem sabe ele estaria vivo. Ninguém sabe ao certo como funciona essa coisa tão complexa que é o destino.
Hoje, dia 27 de Abril , completar-se-iam 5 anos desde que o conhecera. E faz hoje exactamente um mês que ele partiu. Um mês desde o seu enterro. Foi em Leipzig. Afinal, no fim, ele regressou para junto da família. Foi uma cerimónia pequena, mas bonita, apenas com os amigos mais chegados. Nem Simone, nem Gustav e Georg, e muito menos Tom, permitiriam que fosse de outra maneira. Bill teria querido assim, porque aquele pequeno grupo era formado pelas pessoas de quem ele gostava e com quem se importava.
Desde aí, chorei dia e noite, até que as minhas lágrimas secaram e as minhas forças me abandonaram. Rezo baixinho todas as noites para que ele, onde quer que esteja, ouça o meu pedido de perdão. Embora eu saiba que não o mereço. Embora saiba que, independentemente do que aconteceu, ele me perdoou. Siinto isso...
Nas minhas mãos aperto agora a carta que me entregaram há alguns minutos. Ao abri-la, os meus olhos abriram-se igualmente de espanto. Era a letra dele, a letra de Bill. Com as mãos trémulas, comecei a lê-la.


“Querida Caroline,

Se estás a ler esta carta é porque, infelizmente, já não estou perto de ti. Desde que aquelas ameaças chegaram que prometi a mim mesmo fazer tudo para que nada te acontecesse. Nem que tal significasse passar eu a alvo. Mas não tenho medo disso, pelo contrário! Nunca temi a morte. O meu maior medo era perder todos os que amava e ficar sozinho!
Escrevi esta carta depois da nossa discussão, para o caso de não nos voltarmos a falar. Porque, se te conheço bem, deves estar agora cheia de remorsos e a chorar tanto quanto te é permitido.
Por favor: PÁRA DE TE CULPAR! Não tiveste culpa de nada. O que quer que tenha acontecido era inevitável e nada do que me tenhas dito hoje irá alterar o que o destino tinha programado. Eu perdoei-te há muito tempo… Aliás, não há nada que perdoar. Se há alguém que tem de ser perdoado, esse alguém sou eu. Eu sei que tudo o que disseste não era o que realmente pensavas. Afinal, acho que ainda conheço bem a mulher que amo. Não quero que sofras com a minha partida.
Apenas te quero dizer que tudo o que eu fiz, fi-lo por ti, pela tua segurança. Porque amo-te demais, és demasiado preciosa para mim, e porque os meus melhores momentos foram vividos ao teu lado.
Para terminar, tenho apenas um pedido para te fazer: não vivas de memórias! Faz de conta que aqueles anos comigo não existiram… faz de conta que tudo não passou de um dos teus sonhos de menina. Vive! Segue a tua vida e mostra aos outros aquilo que te levou a ser a mulher que és: a tua coragem e determinação.
Acho que agora sim… é a despedida! Espero que nos encontremos um dia. Mas só daqui a muitos e muitos anos. Para onde quer que vá, esperarei o tempo que for preciso para que te possa ver de novo, te possa abraçar e acabar a história que deixamos por terminar.

Todos os beijos que não pudemos trocar,

Bill Kaulitz”



Podem passar-se meses, anos, décadas… mas eu nunca esquecerei cada uma daquelas palavras. Junto, guardo a imagem daquele sorriso sincero, daquele jeito carinhoso, da sua excessiva preocupação.
É neste momento, diante da lápide onde está gravado o nome dele, que me despeço para sempre. Não, para sempre não! Até um dia. Sei que haverá um momento que voltarei a encontrá-lo. Não sei quando, apenas sei. Pois sei também que a cada brisa que me envolve são os seus braços que me abraçam…»


Última edição por Lóide em Sab 08 Maio 2010, 15:38, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Concurso 2 - Let The Pain Go Away   Sab 08 Maio 2010, 15:35

Ok, odeio-te neste momento Lóide.
Estou a chorar feita parva e se não limpo o ranho, sou capaz de fazer estragos para aqui.

não consigo dizer grande coisa a não ser obrigada pelo texto fantástico. Já não lia um há algum tempo.

Parabéns.

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MensagemAssunto: Re: Concurso 2 - Let The Pain Go Away   Dom 09 Maio 2010, 11:38

OMG eu estou sem palavras !!
Muitos parabéns está maravilhoso *_*
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CarBTK
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MensagemAssunto: Re: Concurso 2 - Let The Pain Go Away   Dom 09 Maio 2010, 12:33

Adorei Lóide, parabéns *.*
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Cats
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MensagemAssunto: Re: Concurso 2 - Let The Pain Go Away   Seg 17 Maio 2010, 06:37

Okayy, decidi que o meu comentário como júri vai ser nada mais nada menos do que aquilo que escrevi num Doc do word como primeira reacção a cada texto. Assim saberão todas o que me agradou e desagradou logo de início xD (nota: não se assustem pela falta floreado e desenvolvimento, ou mesmo com a eventual "dureza". Tal como disse: primeiras reacções; anotações feitas com o mero intuito de me lembrar como aplicar a pontuação).

"Primeiro parágrafo está perfeito. Só uma virgulazinha dispensável na primeira frase.
Nada de erros. Frases bem construídas.
Morte do Bill no aeroporto: *__*
“Siinto isso”. Erro de distracção.
A carta do Bill está a criar uma onda de baba e ranho. “Todos os beijos que não pudemos trocar” *desata a chorar*
"Sei que haverá um momento (em) que voltarei a encontrá-lo".
Positivo: o raio da Shot fez-me chorar como não chorava há muito. Não há erros, fora os de distracção. É uma Shot desenvolvida... Ou seja, tem não só o tamanho ideal, como a consistência e o conteúdo certos.
Negativo: podia ter explorado um pouco mais o sangue. Detectei umas duas vírgulas mal colocadas e uma frase onde teria posto um ponto e vírgula, em vez de ponto."


Óh rapariga, como vês as minhas anotações não foram muito grandes quanto à tua Shot.
Simplesmente não há nada a apontar. Escrita impecável, intensidade certa no texto... Adorei.

Parabéns pelo texto xD
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Moon
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MensagemAssunto: Re: Concurso 2 - Let The Pain Go Away   Seg 17 Maio 2010, 14:35

Olá! Desculpa comentar só agora, mas nos últimos dias estive para fora e não tive acesso à internet. Antes de ir também só tive tempo para ler tudo e mandar os resultados à éme porque tinha um trabalho para acabar (deixei para a última da hora, como de costume... --') e não pude vir aqui comentar.

Pontos positivos: Está muito bem escrita, muito intensa. Gostei da maneira como intercalaste a carta com os pensamentos da personagem.

Pontos negativos: A única coisa negativa que tenho a apontar é que podias ter explorado mais a imagem.

Parabéns pelo lugar no pódio! Very Happy
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MensagemAssunto: Re: Concurso 2 - Let The Pain Go Away   

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