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 Concurso 2 - Equívoco sanguíneo

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AutorMensagem
Gwen
Little Schrei
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Feminino Mensagens : 60
Data de inscrição : 31/03/2010
Localização : Fossilândia

MensagemAssunto: Concurso 2 - Equívoco sanguíneo   Seg 10 Maio 2010, 14:47

Título: Equívoco sanguíneo
Pairing: não há
Rating: PG
Warnings: não tenho a certeza... mas é levezinha xd
Beta-Reader: éme


Utilizando a chave que Tom lhe dera, Gustav abriu a porta do apartamento dos amigos e sentiu um arrepio provocado pela diferença de temperatura: o Inverno parecia ainda não ter deixado o apartamento. A porta aberta da varanda deixava entrar a brisa amena que fazia ondular as cortinas e transportava um pouco do calor exterior para dentro de casa. Deixara Tom e Georg no estúdio a discutir o que fariam nessa noite e pretendia regressar a casa e passar o resto do dia a ler. Bill, segundo lhe dissera Tom, devia estar na rua a fazer compras.
Pousou a guitarra que Tom lhe confiara em cima do sofá e dirigiu-se à estante para procurar o livro que Bill prometera emprestar-lhe. Já com o livro na mão, fechou a porta, imaginando que Bill sempre distraído, saíra esquecendo-se que a abrira. Preparava-se para sair, quando reparou numa folha escrita a lápis salpicada de vermelho que se encontrava caída por baixo da mesa de centro. Sentou-se na ponta da mesa, com o livro no colo, enquanto lia aquele pedaço de papel reciclado. A caligrafia era inconfundível: Bill escrevera aquelas palavras.

O sol brilha intensamente derramando sobre o mundo a sua luz cálida e brilhante. Após vários dias de chuva intensa, a vida parece renovar-se com a temperatura amena e com as cores fortes da natureza, que voltam a brilhar com o dissipar das nuvens.
Durante dias seguidos, o mundo esteve imerso numa dormência apática e enfadonha. Os guarda-chuvas e os sobretudos imperavam numa rotina em que as pessoas reclamam sobre a humidade e os pés molhados. Os sorrisos eram esmorecidos e os olhos tinham um brilho esbatido. Com o regresso do sol, estão de volta as roupas coloridas, os olhares brilhantes, os risos cristalinos. As crianças voltam a brincar na rua, no parque frente ao nosso prédio, os cães correm em volta dos donos e as flores esticam-se preguiçosamente ao sol, presenteando-nos com as suas melhores cores.
O bom tempo tem a capacidade de aquecer não só o ar mas também os corações e os espíritos. As pessoas tornam-se mais leves e mais sociáveis, procuram os amigos, saem para a rua, divertem-se. Em minha casa continua a imperar o silêncio e o calor do sol ainda não a invadiu. O meu estado de espírito também se mantém inalterado…

Sentado na varanda, a sentir o calor da pedra por baixo dos meus pés descalços, ouço o chilrear de pássaros jovens, proveniente de uma árvore próxima. Os pequenos animais guardam impacientemente no ninho que os progenitores regressem com comida. Todas as Primaveras, os ramos dos arbustos no jardim se enchem de novas vidas, pequenas criaturas que simbolizam o renovar do ciclo da vida, o recomeçar de uma etapa cheia de esperanças.
Com as pessoas parece acontecer o mesmo. Durante o Inverno deambula pelas cidades entre a casa e o trabalho, encolhidos dentro das roupas grossas, como autómatos programados para sobreviver ao frio, à neve, às chuvadas. Com o regresso do sol, um novo ciclo começa e os rostos iluminam-se, preenchidos por sorrisos que aguardavam o regresso do calor, das cores das plantas escondidas pela neve ou pelo tom cinzento de nuvens pesadas. Libertos do peso das roupas e da opressão monocromática do frio, os amigos reúnem-se, programam saídas à noite, escapadas ao fim-de-semana.

Há dois dias fiquei sozinho em casa durante a tarde. Lá fora, a chuva precipitava--se apressadamente em direcção à terra, ansiando por ensopar tudo e todos à sua passagem. Cá dentro imperava o vazio… As paredes sufocavam-me e oprimiam-me, relembrando-me a cada instante o que a minha mente tenta ocultar há demasiado tempo: o isolamento que existe à minha volta.
Às vezes tento compreender como cheguei a este ponto, porque sinto uma força tão forte a envolver-me que me distingue e consequentemente me afasta dos outros. Porque me sinto tão diferente? Tão incompreendido? Tão isolado? Tenho muitas vezes a sensação que ninguém me conhece ou me compreende, que poderia passar horas, dias a explicar-me a dar-me a conhecer sem que alguém assimilasse o que eu tentava transmitir.

Com o regresso do bom tempo também eu me animei, ou pelo menos assim pensei. Disse a mim mesmo que desta vez ia ser diferente, ia deixar-me contagiar pela euforia reinante ia recomeçar de novo, como os pássaros que ouço nas árvores…
Quando hoje fiquei sozinho em casa, refugiei no calor da varanda e, por momentos, abandonei-me na espreguiçadeira e fechei os olhos, permitindo aos raios solares acariciarem-me a face. O silêncio que impera dentro de casa foi substituído pelo riso das crianças, o latino dos cães, as vozes animadas de um grupo de adolescentes que conversa no jardim. Um pequeno sorriso esboçou-se nos meus lábios enquanto me deixava contagiar pela alegria alheia que chegava até mim.
Com o passar dos minutos, o meu vazio voltou a oprimir-me e a recordar-me que aqueles risos não são meus, aquela felicidade não me pertence, que estou sozinho nesta varanda, como sempre estive na vida… isolado por uma personalidade diferente, por um carácter que me distingue de todos. Abri os olhos e olhei em volta, enfrentando a minha dura realidade: eu isolei-me ao marcar e realçar as diferenças que existem entre mim e todos os outros que me rodeiam. Incapaz de encontrar a minha própria felicidade e construir uma vida minha, apoiei-me nas dos outros e vivi através deles: senti as alegrias de quem me rodeia, vivi através das suas vidas. Mas é impossível sermos preenchidos por algo que não nos pertence e tornei-me num ser vazio, oco, oprimido pelo peso e pela pressão do que não tenho…
Ao contrário do que acontece com quem me rodeia, o bom tempo não me traz euforia ou boa disposição, antes me deixa mais deprimido, esmagado pela diferença de ser pouco sociável.


O meu irmão diz-me muita vez que sou forte e corajoso, que enfrentei o mundo não deixando que oprimissem a minha personalidade ao ponto de a anularem. Sei que o diz para me animar, porque sabe que preciso dele, porque me ama incondicionalmente. Lamento ser por vezes um peso para ele, magoando-o quando o meu vazio interior me sufoca e me faz desesperar.
Gostava de ser mais parecido com ele… mais seguro, confiante… mais feliz… Sei que estará sempre ao meu lado para me apoiar e que não precisava descarregar o meu sofrimento numa folha de papel porque ele ouve sempre os meus desabafos. Mas não estará na altura de me dar por vencido? Não terá chegado a hora de admitir que as minhas forças se esgotaram, que a vida foi mais forte? Deverei desistir e libertar-me deste ser oco em que me transformei? Talvez…
Desistir implica não só terminar com o meu desespero mas também libertar os que me rodeia do ser sorumbático, apático, frio e rabugento em que me transformo quando o desespero se transforma em revolta e de forma inconsciente culpo os outros por um isolamento que eu deixei erguer-se em torno de mim.
Sinto que me faltam as forças e não poderei continuar em frente. Mas poderei desistir de tudo e libertar os outros de mim? Poderei deixar as pessoas que amo? Que me amam a mim… Serei corajoso ou covarde o suficiente para abandonar o meu irmão, quando ele sempre me apoiou?



- Bill! – Assustado com o que lera, Gustav percorria a casa aos gritos. – Onde é que aquele idiota se enfiou! O que fez ele agora! Não acredito que aquele parvalhão fez uma idiotice deste tamanho! Bill!
- O que foi? – Bill saiu da cozinha com uma faca na mão. – Porque raio andas tu em minha casa aos gritos?
- O que fizeste seu idiota? – Tirou-lhe a faca das mãos, atirando-a para um canto e começou a puxar-lhe as mangas comprimidas para cima. – O que fizeste?
- Mas tu estás parvo? – Soltou-se do amigo com alguma violência. – O que te deu?
- Tu não cortaste os pulsos? – Olhou-o intensamente.
- Eu!? – Elevou o sobrolho e colocou as mãos nas ancas. – Tu estás doente?
- Eu vi a carta… Está cheia de sangue…
- Ah! Isso! – Soltou uma gargalhada sonora, enquanto se baixava e apanhava a faca. – Aquilo não é uma carta. – Voltou a entrar na cozinha e passou a faca por água, antes de começar a descascar a laranja. – São apenas desabafos… devaneios que às vezes me passam pela mente e que muitas vezes dão origem às nossas letras.
- E o sangue? – Encostou-se à bancada, ao lado de Bill, enquanto suspirava de alívio.
- Como idiota que sou, estive a escrever ao sol e sangrei do nariz. – Encolheu os ombros e enfiou um gomo de laranja na boca.
- Idiota! Parvalhão! – Deu-lhe um murro leve no ombro e roubo-lhe a laranja completamente descascada. – E eu a pensar que tinhas feito algum disparate!
- Achas que se livravam de mim assim tão facilmente? – Deu o pequeno encontrão ao amigo e tirou outra laranjeira da fruteira, começando a descascá-la.


Última edição por Gwen em Ter 11 Maio 2010, 16:02, editado 1 vez(es)
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Lilly.
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MensagemAssunto: Re: Concurso 2 - Equívoco sanguíneo   Seg 10 Maio 2010, 15:52

ok, foi inevitável... eu tinha de comentar isto:

Gwen escreveu:
- Como idiota que sou, estive a escrever ao sol e sangrei do nariz. – Encolheu os ombros e enfiou um gomo de laranja na boca.

olha a sério xDDD depois de eu estar aqui com alta cara e um ar de preocupada com o que o Bill ia fazer, não consegui evitar rir-me ÀS GARGALHADAS quando li esta fala x'DDDD OMGGGG A SÉRIO, foi mesmo em alto e bom som ROFL
é que imaginar o Bill, que é um rapaz todo girly e bitchy e boneca de porcelana tipo "ai nao me toques que me desafinas", imaginá-lo a sangrar do nariz tira toda a seriedade a uma pessoa x)

vou mesmo ter que dizer isto: apanhaste-me por completo :c
eeeee... gostei bastante da tua escrita, fiquei boquiaberta ^^
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Gwen
Little Schrei
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Localização : Fossilândia

MensagemAssunto: Re: Concurso 2 - Equívoco sanguíneo   Ter 11 Maio 2010, 16:04

Lilly. escreveu:
ok, foi inevitável... eu tinha de comentar isto:

Gwen escreveu:
- Como idiota que sou, estive a escrever ao sol e sangrei do nariz. – Encolheu os ombros e enfiou um gomo de laranja na boca.

olha a sério xDDD depois de eu estar aqui com alta cara e um ar de preocupada com o que o Bill ia fazer, não consegui evitar rir-me ÀS GARGALHADAS quando li esta fala x'DDDD OMGGGG A SÉRIO, foi mesmo em alto e bom som ROFL
é que imaginar o Bill, que é um rapaz todo girly e bitchy e boneca de porcelana tipo "ai nao me toques que me desafinas", imaginá-lo a sangrar do nariz tira toda a seriedade a uma pessoa x)

vou mesmo ter que dizer isto: apanhaste-me por completo :c
eeeee... gostei bastante da tua escrita, fiquei boquiaberta ^^
A ideia era precisamente provocar umas boas gargalhadas. Fico feliz por ter atingido o objectivo.
A primeira coisa que me veio à cabeça quando vi a imagem foi a parte final da OS, o resto veio por arrasto.

Ainda bem que gostaste. Smile
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Cats
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MensagemAssunto: Re: Concurso 2 - Equívoco sanguíneo   Seg 17 Maio 2010, 07:04

Okayy, decidi que o meu comentário como júri vai ser nada mais nada menos do que aquilo que escrevi num Doc do word como primeira reacção a cada texto. Assim saberão todas o que me agradou e desagradou logo de início xD (nota: não se assustem pela falta floreado e desenvolvimento, ou mesmo com a eventual "dureza". Tal como disse: primeiras reacções; anotações feitas com o mero intuito de me lembrar como aplicar a pontuação).

"Uma ou outra vírgula mal colocada.
Ex: "Já com o livro na mão, fechou a porta, imaginando que Bill(falta aqui uma vírgula) sempre distraído, saíra esquecendo-se que a abrira".
"O bom tempo tem a capacidade de aquecer não só o ar(falta aqui uma vírgula) mas também os corações e os espíritos".
Encontrei alguns erros, embora considere que a maior parte deles são erros de distracção.
Ex: "Os pequenos animais (a)guardam impacientemente no ninho que os progenitores regressem com comida".
"Durante o Inverno deambula(m) pelas cidades entre a casa e o trabalho…"
"…o latin(d)o dos cães…".

Gostei bastante do conteúdo da carta do Bill. É como que uma reflexão que alberga um tema que, provavelmente, faz parte da vida dos rapazes: a solidão. A solidão que por vezes devem sentir, por estarem na margem do mundo, por não serem nem poderem ser iguais aos outros.
Para além do tema, a carta tem ainda expressões muito bem conseguidas; descrições lindas.
Gostei do final. Apesar do tema imposto pela imagem, a autora conseguiu dar a volta e terminar de forma alegre, provocando até uma gargalhada aos leitores. Nesse aspecto demarcou-se das demais participantes."


Gostei bastante do texto, sobretudo da diferença que nele encontrei. Foste a única que seguiu por um final não-deprimente, contrariando assim as expectativas criadas pelo tema/imagem.
Mesmo ao longo da leitura, o leitor fica convencido de que "vem aí tragédia", e mesmo no final acaba por ficar surpreendido.
Tal como apontei: alguns erros de distracção.

Parabéns pelo texto xD
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Moon
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MensagemAssunto: Re: Concurso 2 - Equívoco sanguíneo   Seg 17 Maio 2010, 14:29

Olá! Desculpa comentar só agora, mas nos últimos dias estive para fora e não tive acesso à internet. Antes de ir também só tive tempo para ler tudo e mandar os resultados à éme porque tinha um trabalho para acabar (deixei para a última da hora, como de costume... --') e não pude vir aqui comentar.

Devo dizer que a tua one shot foi a minha preferida.

Pontos negativos: encontrei alguns erros de pontuação, mas desse mal até eu sofro de vez em quando, bem como alguns erros ortográficos, mas são coisas que passam de vez em quando (nota-se que não são fruto de ignorância mas sim de distracção). Também achei que podias ter utilizado um pouquinho mais a imagem.

Pontos positivos: sem dúvida que foi uma das coisas mais originais que eu li até hoje. Pelo conteúdo da carta do Bill (que por sinal estava fantástica) desde o início que estava à espera que alguma coisa trágica acontecesse e no final dei uma boa gargalhada. Razz

Em conclusão: Gostei imenso.

Parabéns pela vitória. Very Happy
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MensagemAssunto: Re: Concurso 2 - Equívoco sanguíneo   

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